Se você acompanha a comunidade de Power Platform, provavelmente já leu o anúncio de que o Power Platform CoE Starter Kit não é mais mantido ativamente. Para algumas organizações, isso trouxe a sensação de uma mudança repentina de direção. Para outras, pareceu apenas a confirmação de um movimento que já vinha se desenhando.
De toda forma, o ponto mais importante não é o “fim” do CoE Starter Kit, mas a evolução do lugar que a governança ocupa dentro da Power Platform.
Neste post, quero colocar essa mudança em perspectiva: o que está mudando, o que não está e como avaliar essa transição com calma, de forma pragmática e sem disrupções desnecessárias.
- O CoE Starter Kit nunca foi um produto — e isso importa
- “Se isso parece repentino, provavelmente você não notou os sinais”
- Este não é um momento de “rip and replace”
- Onde o CoE Starter Kit ainda pode fazer sentido
- O quadro maior: uma mudança de responsabilidade
- Olhando para frente: capacidades de governança para acompanhar
- Reflexão final: planeje a transição, não tenha pressa
- Leitura adicional recomendada
O CoE Starter Kit nunca foi um produto — e isso importa
O primeiro ponto que vale reforçar é simples, mas fundamental:
O CoE Starter Kit nunca teve a intenção de ser um produto completo da Microsoft.
Ele sempre foi posicionado como:
- Uma implementação de referência
- Um conjunto de padrões, modelos e automações de exemplo
- Um reflexo de cenários reais de governança observados em muitos clientes
Em outras palavras, o CoE Starter Kit respondia à pergunta:
“Como a governança, o monitoramento e a adoção poderiam ser implementados usando a própria Power Platform?”
Ele foi construído intencionalmente sobre a Power Platform (Dataverse, Power Apps, Power Automate, Power BI), e não dentro da plataforma. Essa distinção explica tanto seu valor quanto seus limites.
Sob essa perspectiva, o fato de a Microsoft deixar de manter ativamente o kit não representa uma desvalorização da governança. É um sinal de que esses padrões amadureceram o suficiente para migrar para experiências nativas.

“Se isso parece repentino, provavelmente você não notou os sinais”
Há uma verdade um pouco desconfortável — mas importante — aqui:
Se a transição parece surpreendente, é provável que os recursos nativos de governança já estivessem fazendo grande parte do mesmo trabalho.
Ao longo dos últimos anos, a Microsoft vem incorporando gradualmente recursos de governança diretamente à plataforma, muitas vezes com experiências equivalentes ou superiores às do CoE Starter Kit. Alguns exemplos:
- Telemetria e insights sobre o uso nativos
Power Platform agora oferece inventário, uso, monitoramento e insights de status (health) nativos diretamente no Power Platform Admin Center (PPAC) — sem fluxos customizados nem automações de sincronização.
Ambientes gerenciados
Introduziu controles de governança como limites de compartilhamento, obrigatoriedade do Solution Checker, experiências de boas-vindas para makers e insights semanais de uso — muitos deles cobrindo cenários historicamente implementados por meio de fluxos do CoE.
Pipelines for Power Platform
Uma experiência nativa e de primeira classe de ALM, que substitui boa parte do que as organizações costumavam alcançar com padrões de ALM customizados (ou com o ALM Accelerator).
Power Platform CLI e APIs de gerenciamento
Oferecendo capacidades de automação, script e integração em nível corporativo que vão muito além do que era prático dentro de uma solution empacotada.
Connectores Administrativos (Power Platform for Admins v2)
Expondo as mesmas APIs de gerenciamento usadas pelo PPAC, permitindo que clientes automatizem ações de governança sem depender de lógica específica do CoE.
Em conjunto, esses investimentos deixam claro que a estratégia de longo prazo da Microsoft tem sido trazer a governança para dentro da própria plataforma, em vez de mantê-la como um toolkit externo.
Este não é um momento de “rip and replace”
Outro esclarecimento importante:
A Microsoft não está dizendo aos clientes para desinstalar ou abandonar o CoE Starter Kit.
A orientação oficial é mais sutil — e mais razoável:
- O CoE Starter Kit continua disponível
- As implementações existentes continuam funcionando
- A recomendação é começar a mapear cenários do CoE para capacidades nativas
Exemplos do que pode migrar para o nativo
Muitas organizações já podem planejar a transição destes cenários:
- Inventário e descoberta em todo o tenant → PPAC Inventory
- Acompanhamento de adoção e uso → PPAC Usage and Admin Analytics
- Saúde operacional e monitoramento → PPAC Monitor and alerts
- Recomendações de governança → PPAC Actions (Advisor)
- Governança de ambientes → Managed Environments + environment groups
- Pipelines de ALM → Pipelines for Power Platform + CLI
Nessas áreas, a experiência nativa não é apenas comparável — ela costuma ser mais escalável, mais segura e mais integrada do que a implementação via CoE Starter Kit.
Principal mensagem: Use os recursos nativos da Power Platform onde eles já oferecem funcionalidade equivalente (ou melhor) e mantenha o CoE Starter Kit apenas onde ele ainda agrega valor único.
Onde o CoE Starter Kit ainda pode fazer sentido
Mesmo com o amadurecimento das capacidades nativas de governança, ainda existem cenários em que o CoE Starter Kit — ou soluções inspiradas nele — pode continuar agregando valor, especialmente quando os dados de governança precisam ir além dos administradores.
Alguns exemplos comuns incluem:
Compartilhando insights de adoção com líderes de negócio
A adoção de Power Platform raramente é apenas uma preocupação técnica. Líderes de negócio frequentemente querem respostas para perguntas como:
- Quais departamentos estão construindo apps e automações ativamente?
- Onde o valor está sendo criado — ou duplicado?
- Quem são os makers e champions mais ativos?
- Como a adoção evolui ao longo dos trimestres, e não apenas nos últimos 28 dias?
O CoE Starter Kit foi desenhado intencionalmente para atender a essa lacuna. Ao armazenar dados de inventário, uso e auditoria no Dataverse e apresentá-los por meio do Power BI, ele permitiu que organizações:
- Compartilhassem dashboards de adoção somente leitura com executivos e stakeholders de negócio.
- Oferecessem análise de tendência em períodos longos, não limitada a janelas curtas de retenção.
- Segmentassem insights por unidade de negócio, geografia ou iniciativa estratégica.
Embora o Power Platform Admin Center agora ofereça boa visibilidade nativa para administradores, ele é intencionalmente restrito a usuários com privilégios administrativos. Para organizações que precisam ampliar essa visibilidade de forma adequada ao papel de cada público, padrões de relatórios no estilo CoE Starter Kit continuam altamente relevantes.
Análises de adoção mais profundas e customizadas
Os analytics nativos da plataforma são otimizados para governança operacional — respondendo a perguntas como “O que existe?”, “O que é mais usado?” ou “O que precisa de atenção agora?”
O CoE Starter Kit complementa isso ao permitir:
- Correlação entre apps, makers, connectors, environments e padrões de uso.
- Análise histórica de longo prazo usando Power BI sem depender de recursos em preview para exportação
- Dashboards narrativos que contam uma história de adoção, e não apenas exibem dados de sobre o uso.
Para organizações com práticas maduras de analytics, essa capacidade de contextualizar os dados de adoção — em vez de apenas observá-los — costuma ser crítica para sustentar o apoio executivo ao longo do tempo.
Fluxos de governança e enablement específicos da organização
Algumas necessidades de governança são, por natureza, específicas de cada organização:
- Validações de conformidade customizadas.
- Modelos de aprovação específicos por departamento.
- Comunicações direcionadas para makers e gestores.
- Pipelines de inovação e backlog de ideias.
Esses cenários nunca tiveram a intenção de ser resolvidos de forma universal pela própria plataforma. Em muitos casos, manter componentes selecionados do CoE — ou reconstruir equivalentes nativos usando admin connectors — continua sendo uma abordagem prática.
O princípio-chave aqui é a seletividade.
Principal mensagem: O objetivo não é preservar o CoE Starter Kit intacto, mas mantê-lo de forma intencional — usando-o onde ele ainda preenche lacunas e aposentando-o onde os recursos nativos da Power Platform já oferecem uma solução mais limpa e escalável.

O quadro maior: uma mudança de responsabilidade
O que realmente está mudando não é a governança em si, mas onde a responsabilidade por ela passa a estar.
- A plataforma agora fornece as capacidades centrais: telemetria, controles, pontos de controle e conectores para automação.
- As organizações decidem quanto processo, relatórios e enablement adicionais precisam construir sobre essa base.
Isso aproxima a Power Platform de outras plataformas corporativas: governança deixa de ser uma solução de exemplo que você instala e passa a ser uma capacidade nativa que você estende quando necessário.
Olhando para frente: capacidades de governança para acompanhar
À medida que a governança da Power Platform evolui, algumas capacidades despontam como próximos passos naturais. Não se trata de promessas nem de roadmap oficial, mas de áreas que podem fortalecer ainda mais a experiência nativa de governança:
- Acessos mais granulares no Admin Center (RBAC)
Para permitir delegação segura de responsabilidades sem exigir privilégios amplos demais. - Mais compartilhamento de insights e retenção histórica
Para ampliar a visibilidade da adoção além dos administradores e viabilizar análises mais úteis ao longo do tempo. - Automação nativa de ações de governança
Para reduzir esforço operacional e tornar controles recorrentes mais consistentes. - Mais suporte para onboarding e comunicação com makers
Para fortalecer o enablement sem depender tanto de soluções customizadas. - Extensibilidade mais clara via APIs e eventos
Para permitir integrações e processos customizados com mais previsibilidade.
Em resumo, os recursos nativos de governança da Power Platform seguem uma trajetória positiva. À medida que evoluem, reduzem a dependência de implementações complementares e aproximam a plataforma de uma experiência de governança cada vez mais completa.
Reflexão final: planeje a transição, não tenha pressa
Para a maioria dos clientes, a resposta correta não é nem pânico nem negação.
Em vez disso:
- Faça um inventário do seu uso atual do CoE.
- Mapeie cada cenário para capacidades nativas.
- Identifique lacunas reais (não apenas hábitos).
- Planeje uma transição gradual.
- Mantenha ou refatore apenas o que ainda agrega valor.
Sob essa perspectiva, o CoE Starter Kit não falhou — ele, em grande medida, cumpriu seu papel. Os padrões que ajudou a demonstrar agora estão sendo incorporados à própria plataforma.
E isso geralmente é um sinal de maturidade, não de perda.
Mensagem principal: Se você está planejando ativamente seu roadmap de governança e quer avaliar com tranquilidade quais partes do seu setup atual de CoE podem migrar para o nativo — e quais ainda deveriam permanecer — este é um bom momento para fazer esse trabalho de forma deliberada, e não reativa.

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